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Bolsonaro, “Huguinho, Zezinho e Luisinho” não são presidentes. É bom entenderem isso.

Bolsonaro, seus filhos não são presidentes. É bom vocês entenderem isso.

Os filhos de Jair Bolsonaro precisam entender que seu pai foi eleito para a presidência da república, não para Rei, Sheik ou ditador. Isso significa que não há hereditariedade no cargo. A monarquia foi extinta no Brasil em 1889. E a anarquia o povo esperava que tivesse acabado em 1° de janeiro de 2019.

Desde antes da campanha eleitoral, quando Jair Bolsonaro nem era candidato oficial, e mal mal tinha uma legenda que bancasse suas pretensões à presidência, já era claro que “Huguinho, Zezinho e Luisinho” dariam trabalho, pois já davam. Na veia política desses rapazes corre mais testosterona do que política. Parece que pensam demais com a cabeça de baixo e muito pouco com a cabeça de cima.

Um sugere que um cabo e um soldado seriam suficientes para fechar o STF e bate boca com Joice Hasselmann pelo Twitter. O outro foge da prestação de contas com a justiça (convenhamos, tem titica nesse angu, não é caroço não) e some, inclusive do Twitter. Aí vem o outro e desanda a expor, também no Twitter, a roupa suja que deveria ser lavada em casa. Isso deixa claro duas coisas: eles falam demais e adoram o Twitter. Mas falam muita merda, e o Twitter não é privada.

“Huguinho, Zezinho e Luisinho” precisam assumir seus respectivos cargos, exercer as atividades para as quais foram eleitos, e entender que filho de presidente não é cargo, é relação de parentesco. Se o pai deles fosse presidente de uma multinacional eles não dariam palpite. E se dessem, isso aconteceria em privado, caso contrário o pai, certamente, seria demitido por causa desse tipo de interferência.

Se eu pudesse dar um conselho a Jair Bolsonaro, diria: afaste seus filhos e proíba-os de dar palpites no governo. Se “Huguinho, Zezinho e Luisinho” querem ajudar, que o façam no papel que lhes cabe, como vereador, deputado federal e senador que são, nas respectivas tribunas das casas legislativas para as quais foram eleitos. E se quiserem falar alguma coisa para ajudar o pai, que o façam em particular, mesmo que seja para queimar o filme do secretário da presidência de república escolhido por Bolsonaro.

Se Gustavo Bebiano é o autor da trambicagem de “laranja” de Pernambuco, que Jair Bolsonaro decida o que fazer, até recebendo conselhos dos filhos EM PARTICULAR, mas não pelo Twitter.

Entre outras coisas, “Huguinho, Zezinho e Luisinho” tem que entender, mesmo que na marra, que a campanha eleitoral acabou, o pai foi eleito, já é presidente. E como presidente, a falação movida à testosterona implica, necessariamente, em problemas para o país, para a economia, para a governabilidade, para o relacionamento com o Congresso Nacional e com o judiciário, afeta a credibilidade do governo, complica a aprovação das tão necessárias medidas econômicas e ainda enche a oposição de munição para encher o saco do governo.

Se o vereador “Luisinho” tem projetos pessoais para tentar a prefeitura do Rio de Janeiro em 2020, que ele pare de usar Bolsonaro como escada. Todo mundo sabe da devoção do filho pelo pai, mas usar o governo como estratégia de marketing para ampliar sua exposição na mídia está dando errado.

Todo mundo viu ele sentado atrás do pai no Rolls Royce presidencial durante o desfile da posse, todo mundo já cansou de ver imagens dele com o pai no Brasil e no exterior e ele ainda carrega o sobrenome Bolsonaro, que é mais do que suficiente para ser visto pela mídia e pelos eleitores. Mas que ele pare de encher o saco com picuinhas.

O deputado federal “Zezinho” também precisa acalmar os ânimos. Se pretende suceder o pai daqui 4 ou 8 anos, tem que começar a se comportar como conciliador e não como incendiário. Ao contrário do que disse Joice Hasselmann no episódio do bate-boca via Twitter, aquilo não foi coisa de irmão. Já está mais do que claro que para “Zezinho”, irmãos são “Huguinho e Luisinho”, que são filhos do mesmo pai e mesma mãe. O irmão mais jovem, que é de outro casamento, já é outra conversa. E a irmãzinha mais nova, tão pequenina, e única menina, não entra na conta.

Já ao contrário dos irmãos, o senador “Luisinho” causa problemas ao pai não porque fala muito, mas porque não fala. Esse, antes falasse alguma coisa. A situação dele é complicada e não adianta dizer que está tranquilo porque se estivesse tinha ido ao Ministério Público Federal dar as devidas explicações ao invés de entrar com pedido no STF para suspender investigações. Pegou mal demais isso. Pega mal demais isso. E pegará mais ainda se ele e o tal Fabrício Queiroz não derem as devidas e convincentes explicações que todos esperamos para ver, o que parece que não vai acontecer. Infelizmente, esses fatos serão revelados através de investigação.

O Brasil precisa de paz, e quem tem que dar o tom disso é Jair Bolsonaro como presidente da república. A beligerância de seus filhos, mesmo que na ânsia de proteger o pai (nem sempre) só estão trazendo problemas a um governo que está completando 45 dias.

Só Jair Bolsonaro é presidente da república. OS filhos são políticos sem cargo (graças a Deus) no governo federal, portanto sem ingerência oficial sobre os assuntos e decisões que se toma no Palácio do Planalto. O que tem que acabar é com a ingerência extraoficial também e buscar mais conciliação, menos enfrentamento e muito mais comedimento nas redes sociais, especialmente no Twitter.

Há quem insista na tese boba de que criticar Bolsonaro e os filhos “dá lenha” para a oposição, mas eu discordo veementemente disso. Se não tivesse havido excesso de tolerância com Lula, talvez o estrago tivesse sido menor. E penso que não podemos e não devemos cometer o mesmo erro novamente. A crítica construtiva agrega. Além do mais, penso que no caso de Bolsonaro, nenhuma crítica ou comentário causa mais impacto e negatividade para sua imagem e para a imagem do governo do que as que vêm dos seus filhos.

Como colaboração, sugiro dar esse livro para os meninos. Além de ajudar na disciplina é cheio de sugestões para meninos gastarem a testosterona.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.