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Eduardo Azeredo, finalmente, será preso. Mas e o Aécio?

Eduardo Azeredo, finalmente, será preso. Mas e o Aécio?Não há dúvidas que essa pergunta continuará a ser mais relevante do que o fato de Eduardo Azeredo ser preso. A esquerda não quer saber de político aposentado, quer um nome que se equipare em justiça ao nome de Lula. Mas a esquerda, de verdade mesmo, não quer que Aécio seja preso.

A prisão de Aécio significaria o fim de um discurso de injustiça e um mote de campanha. A esquerda Aécio e Lula soltos, porque a liberdade de muitos depende diretamente da liberdade desses dois. Se o primeiro ficar preso e o segundo for preso, o caminho é que todos sejam. E com Aécio preso, como poderiam gritar “Cadê o Aécio?”, afinal todos saberiam onde ele estaria.

Eduardo Azeredo está para o mensalão mineiro assim como estava José Genoíno para o mensalão, dois bobos da corte. Não menos corruptos, mas longe de serem os mais corruptos. Duvido que qualquer um dos dois tenha tido inteligência para planejar mensalões com Marcos Valério. Acredito, sim, que Marcos Valério os convenceria de aceitar um plano elaborado por ele e por outros, o que faz de Azeredo e Genoíno corruptos da mesma maneira.

O caso de Eduardo Azeredo é importante para reparar o quanto o fim do foro privilegiado pode ser um privilégio se não for mantida a prisão após condenação em segunda instância. Se isso fosse regra desde sempre, o ex-prefeito de Belo Horizonte, ex-governador, ex-senador e ex-deputado federal por Minas Gerais já teria sido extraído do convívio social.

Azeredo renunciou ao mandato de deputado federal em 2012, foi condenado em primeira instância a 20 anos e 10 meses de cadeia em dezembro de 2015, recorreu, foi condenado em segunda instância em agosto de 2017 e aliviaram sua barra e menos 9 meses dormindo em beliche, recorreu, e hoje, 22 de maio de 2018, 6 anos após sua renúncia quando o STF aceitou a denúncia do MPF, foi, finalmente, emitida uma ordem de prisão. Quase 6 anos. Muito tempo para se prender uma pessoa.

A prisão após condenação em segunda instância tem que ser regra clara, escrita na Constituição Federal com todas as letras sem deixar margem de dúvida. Se isso não acontecer, a maioria das velhas raposas da política passarão dessa vida para a próxima sem saber como é o vaso sanitário coletivo de uma cela.

Não há perdão para Eduardo Azeredo da mesma forma que não teve para Lula e não deve ter para ninguém. Se a notícia é triste para o condenado e para seus familiares e amigos, para a sociedade é mais um sinal de que a justiça começa a valer igualmente para todos, como diz a constituição. E nesse sentido, não apenas me junto ao coro, como amplio a pergunta:

  • Cadê o Aécio? Cadê o Renan? Cadê o Jucá? Cadê o Serra? Cadê o Alckmin? Cadê o Sarney? Cadê o Temer? Cadê o Jucá? Cadê todo mundo?

Porém, como todos esses outros, Azeredo também tem amigos no STF, e impetrou pedido de habeas corpus na corte. Nunca se sabe. Ainda tem muito ministro laxante com a caneta solta.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.