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Ana Amélia, a candidata a vice que não era mulher de verdade.

Ana Amélia, a candidata a vice que não era mulher de verdade.Minha ética e meus compromissos serão sempre os mesmos. Nunca avalizei conchavos e negociatas e assim continuarei na Vice-Presidência.” Foi isso o que disse a senadora Ana Amélia Lemos no vídeo que postou falando sobre sua decisão de aceitar concorrer à vice-presidência ao lado de Geraldo Alckmin.

Ana Amélia disse que a decisão não foi fácil. Não deve ter sido mesmo. Disse também que como vice-presidente sua voz terá mais alcance e que continuará sendo a mesma Ana Amélia de sempre. E tendo dito isso tudo, fica a critério do eleitor acreditar nela, ou não, e acreditar inclusive que nas belas palavras da senadora, Geraldo Alckmin realmente virou um “Santo”.

Por que a senadora Ana Amélia nunca saiu do PP, justo o partido aliado do PT e do PMDB que mais envolvimento teve com a corrupção? Podemos acreditar que ela nunca se envolveu com nada, que se manteve uma senadora independente. Mas defendendo as cores desse partido isso é possível? Ostentando a legenda desse partido ao lado do seu nome?

Parece que a senadora Ana Amélia tem uma percepção meio “gilmarmendesana” sobre corrupção. Tal quando o ministro do STF, corrupção só parece ser corrupção ser for relacionada ao PT e ao PMDB. O PSDB, apesar de Aécio Neves, Beto Richa, Marconi Perillo, José Serra e o próprio Geraldo Alckimin estarem enrolados com a justiça, está fora do entendimento de corrupção da senadora.

Não há justificativa, senadora Ana Amélia, não para os eleitores, muito menos para quem está atento à política e aos grave acontecimentos do país.

Apoiar Geraldo Alckmin, mesmo que fosse com uma singela declaração de voto, é apostar na continuidade de tudo que está aí. Geraldo Alckmin é o fim da operação Lava Jato, é o empoderamento final do STF, é o avanço da agenda da esquerda progressista, é um tapa muito bem dado no meio da cara do povo brasileiro.

Não há desculpa que explique ou justifique se aliar ao Centrão de Valdemar da Costa Neto, de Paulinho da Força, de Carlos Marun, Roberto Jefferson e demais personagens de terceira qualidade no cenário político nacional. O mesmo Centrão comandado com mão de ferro por Eduardo Cunha, que arquivou duas denúncias claras de corrupção contra Michel Temer.

Falar que fez isso em nome do Brasil, senadora Ana Amélia, fica mais feio.

Ninguém esperava da senadora Ana Amélia mais do que renovar sua cadeira no senado e continuar sua combatividade onde as leis são tramadas, criadas e aprovadas. Lá no senado é lugar de combatividade, e não hospedada no Palácio do Jaburu. Quando Michel Temer mandou cartinha para Dilma Rousseff se rotulando como “vice decorativo”, é porque vice só serve para isso mesmo, figura que, inclusive, deveria ser extinta.

Se eleita, não veremos mais a Ana Amélia que travou históricos combates com Gleisi Hoffmann, Lindbergh Farias, Humberto Costa, Vanessa Graziotin no senado. Vice, senadora Ana Amélia, mal dá entrevista. Vice não só é acionado quando algum “servicinho” menor precisa ser feito e o presidente está sem “agenda”. Nem golpe, senadora Ana Amélia, vice dá sozinho.

O desapontamento de eleitores e seguidores é compreensivelmente muito grande. Aceitar ser vice de Geraldo Alckmin e do Centrão é o contrário de tudo o que a senadora Ana Amélia, que o povo conhecia e gostava, mostrou nos seus inflamados discursos contra a corrupção e a impunidade.

Não dá para ser contra a corrupção ao lado de Geraldo Alckmin. Não dá para ser contra a impunidade sendo vice-presidente apoiada pelo Centrão. Não dá para ser a mesma Ana Amélia de sempre. E se nunca avalizou conchavos e negociatas, lamento informar, mas, queira ou não, não continuará assim na Vice-Presidência, pois, por si só, a aliança estabelecida já implica na subversão da ética e no rompimento com compromissos.

Amélia não tinha a menor vaidade. Ana Amélia mostrou que tem, muita. Sentiremos saudade da senadora Ana Amélia, aquilo sim é que era mulher.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.