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Aécio, muito além de frustrante

Dia após dia gravações com autorização da justiça revelam um Aécio Neves rasteiro, chulo, indiferente às questões que não digam respeito a obstruir as ações da Lava Jato. E não apenas ele, mas seus interlocutores, entre os quais senadores e empresários.

Aécio frustrou seus eleitores perdendo a presidência da república. E não pode mais dizer que Dilma se elegeu com dinheiro roubado. Ele perdeu com dinheiro roubado.

Frustrou os mineiros, num acordo que garantia o governo de Minas ao PT em troca do apoio a eleição de Marcio Lacerda à prefeitura de Belo Horizonte. O pagamento veio em 2014, quando o PSDB lançou como candidato ao governo o fraquíssimo Pimenta da Veiga.

Após a derrota nas urnas, Aécio Neves voltou ao senado com a promessa de ser a voz da oposição ao governo Dilma, tendo como principal ação a denúncia da chapa adversária ao TSE pelo uso de dinheiro sujo, o mesmo dinheiro sujo que irrigou sua campanha.

Revelada a própria caca, ele nos frustra até com as desculpas que dá sobre coisas que são indesculpáveis; entre elas a prisão da própria irmã, que dificilmente vai desculpá-lo pelos dias que está passando e poderá passar, vivendo o que vive quem comete crime. 

Andrea Neves não está presa por acaso, nem com base em acusações ou provas falsas. Ela também faz parte desse sistema e só agia nas sombras, e nas sobras de campanha. Há quem diga que agia também como cérebro de Aécio.

A derradeira frustração é a fragilidade com que Aécio se defende, e pela oportunidade que perde de reconhecer seus erros diante de um Brasil que não procura mais um candidato para derrotar Lula ou Dilma, muito menos político um que se pareça tanto com eles.

Aécio pode até tentar se esconder da justiça. Mas tentar se esconder da realidade o transforma num politiquinho ridículo, o que vai muito além de frustrante.

 

 

HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.