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Adélio Bispo de Oliveira, de pretenso algoz a cabo eleitoral de Bolsonaro

Adélio Bispo de Oliveira, de pretenso algoz a cabo eleitoral de BolsonaroNão dá para saber se a coisa é articulada por um complô da imprensa, mas o fato é que a maioria dos veículos imediatamente preferiu tratar o Adélio Bispo de Oliveira, agressor de Bolsonaro, como uma pessoa com distúrbios. Relevaram sua clara militância de esquerda, restringindo, por exemplo, a exibição das fotos do Facebook que mostram um grupo de pessoas com a camisa Lula Livre.

Adélio Bispo de Oliveira não é inocente. Nem útil, nem inútil. Ele é parte de alguma coisa que, por menor que seja, ou até por mais louca e doente que possa ser, tinha o propósito de matar Bolsonaro.

É absurdo imaginar que esse acontecimento tenha sido planejado pelo alto escalão de algum partido, ou de alguns. Mas, desde Celso Daniel, já vimos acontecer de tudo no Brasil. Ouvimos, por exemplo, Dilma dizer que “a gente faz o diabo para ganhar uma eleição. ” Numa dessas o diabo ouviu, se animou, e o avião de Eduardo Campos caiu.

Desde a Lava Jato e o impeachment de Dilma Rousseff tivemos ainda mais noção do que o desespero é capaz de produzir.

Considerando que realmente Adélio Bispo de Oliveira estivesse agindo sozinho, surgem diversas questões que precisam de respostas urgentes:

  • Como sobrevivia o servente de pedreiro que nos últimos meses viajava para cima e para baixo, que tinha 4 celulares, notebook e esteve até em Santa Catarina dois meses atrás, exatamente no Clube se Tiro frequentado pelos filhos de Bolsonaro?

  • Como ele se bancava com ganho de servente de pedreiro se não estava trabalhando na maior parte do tempo?

  • Do nada surgiram 4 (quatro) advogados para defender Adélio. Quem contratou? Quem está pagando por essa defesa?

O deputado Delegado Franceschini fez uma afirmação, ao meu ver, bastante correta. “Ele é muito ‘pequeno’ para ter agido sozinho.

Segundo informações da Globonews e de alguns outros veículos, a Polícia Federal tem mais um suspeito na mira e monitora outras pessoas. E é óbvio que existem outras pessoas nisso.

Junto com os celulares e o notebook a PF encontrou também diversas passagens, cujos destinos estão sendo conferidos com datas e horários por onde Jair Bolsonaro andou passando.

A se confirmar a coincidência de datas e locais podemos infirmar que o crime não apenas foi premeditado, como também foi planejado para ser executado num momento oportuno, que poderia até ter sido anterior e só deu certo agora.

Mais uma vez, isso ratifica a ideia de que Adélio não agiu sozinho para esfaquear Bolsonaro, e que a coisa, talvez, possa ser bem maior do que pode pensar que é.

É preciso que a PF pericie os celulares, contatos e quebre o sigilo telefônico dos números em questão, de Adélio, de seus interlocutores e dos interlocutores desses, sejam quem forem.

No entanto, tem alguma coisa que não fecha nessa conta, e que, também, leva a crer à existência de mais de uma pessoa envolvida para viabilizar a ação de Adélio.

Como ele imaginou que esfaquearia Bolsonaro e sairia dali?

Atacaria e sairia de fininho no meio do tumulto?

Estava disposto a ser linchado e virar mártir?

Seus comparsas estavam ali para garantir sua fuga e não deu certo?

É preciso que a Polícia Federal esclareça esses detalhes em cada minúcia. Porque em se considerando que ele não agia sozinho, não se deve descartar a hipótese de que, dado o aparato policial que fazia a segurança de Bolsonaro, 40 policiais, davam como favas contadas que Adélio Bispo de Oliveira seria eliminado a queima roupa, e ficaria o dito pelo Benedito.

Só alguém absolutamente insano tentaria matar Bolsonaro de cara limpa e achar que sairia andando do local sem ser molestado. Ou alguém que contasse com ajuda de terceiros para essa fuga ser facilitada. Mas principalmente, por alguém incapaz de imaginar que a ideia por trás de tudo é que ele não saísse dali vivo.

Lobo solitário ou com matilha, Adélio Bispo de Oliveira está vivo, preso, e trancafiado, indo para um presídio Federal em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. E é bom que tenham feito isso.

Não interessa para a democracia que Adélio tenha o mesmo destino de Lee Oswald, o assassino de John Kennedy, que era comunista, teria distúrbios mentais, teria agido sozinho e foi assassinado por outro louco 48 horas depois de matar o presidente, sem que a coisa fosse devidamente esclarecida.

Mesmo que todos esses questionamentos e ideias não passem de teorias de conspiração alimentadas com fatos e hipóteses reais, os reflexos do acontecimento atingiram a lisura da campanha presidencial, e com isso quem se deu realmente mal nesse episódio foram os opositores de Jair Bolsonaro, todos eles.

Os poucos segundos de TV de Bolsonaro foram substituídos por horas e horas de áudio e vídeo em todas as emissoras de TV e rádio, além de espaços gigantescos nos jornais, revistas, portais e sites na internet, sem gastar fundo eleitoral, sem precisar de financiamento privado de campanha e sem precisar fazer nada para aparecer.

Adélio Bispo de Oliveira tornou-se o maior cabo eleitoral de Jair Bolsonaro. Só precisamos saber se por loucura ou a mando de alguém. Mas isso só a PF poderá dizer com certeza. Se disser.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.