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A Lava Jato que Brasília quer é a de lavagem de dinheiro

A Lava Jato que Brasília quer é a de lavagem de dinheiro

A Operação Lava Jato está sofrendo o maior ataque desde que começou. Até aqui foram 5 anos de resultados jamais alcançados por nenhuma operação de combate à corrupção, atingindo políticos e empresários, desvendando os meandros de organizações criminosos e métodos de lavagem de dinheiro através de investigações minuciosas que contaram com o envolvimento de diversos órgãos de estado como a Justiça Federal, o Ministério Público Federal, a Polícia Federal e a Receita Federal, além de colaborações de delatores que entregaram não apenas nomes, mas, principalmente provas.

A primeira operação da Polícia Federal, e que teve o nome Lava Jato que todos conhecemos, aconteceu em 17 de março de 2014. De lá para cá foram 62 operações derivadas dessa primeira, que já resultaram em mais de 2294 anos de penas e 159 condenações, segundo artigo da Folha de São Paulo. Entre os nomes famosos e conhecidos na política, o ex-presidente Lula, o ex-governador Sérgio Cabral (só ele condenado a mais de 200 anos), o ex-ministro José Dirceu, o ex-ministro Antônio Palocci. Entre os empresários, os dirigentes da Construtora OAS, da Iesa Óleo & Gás, da Camargo Corrêa Construções, daUTC Engenharia, da Engevix, da Construtora Queiroz e Galvão, da Odebrecht, da Andrade Gutierrez, da Mendes Júnior, ficando apenas nas empreiteiras.

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Dentre os partidos políticos envolvidos estão o PT, PSDB, PMDB, PSB, DEM, PP, PR, PSD, PDT, PTB, PCdoB, SD, PSC, PRB, PRTB, PROS, PV, PEN, PPS, PTN, PTdoB, PMN, PSL, PTC, PHS, PRP, PPL, PSDC. Alguns deles inclusive mudaram o nome nesse período, buscando de dissociar do escândalo. O PMDB voltou a ser apenas MDB, o PTN virou Podemos, o PTdoB virou Avante, o PEN virou Patriota, o PSDC virou Democracia Cristã, o PPS virou Cidadania.

Sobre isso, Antônio Augusto Queirós, diretor de documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar, disse o seguinte ao site Brasil de Fato: “Isso apenas demonstra o desrespeito desses partidos para com os eleitores. Porque de um lado despreza a ideologia, a doutrina, a defesa de programa, de ideias, que é o que deve ser o ponto central de qualquer partido, e busca tratar o partido como se fosse um produto comercial, a partir da propaganda, como se faz com uma marca de sabonete, tentar agregar eleitores a partir daí. E isso, do ponto de vista político e da representação política, é uma tragédia. Porque se em um primeiro momento pode haver uma simpatia do eleitor, no momento seguinte vai se descobrir que se comprou gato por lebre.”

Exceto alguns poucos nomes, como o do ex-juiz federal e atual ministro da justiça Sérgio Moro e o procurador da república e coordenador da Lava Jato em Curitiba Deltan Dallagnol, já é difícil saber quem realmente está a favor ou contra a Operação Lava Jato. E muito fácil indentificar claramente quem está contra, como é o caso de muitos ministros do STF, centenas de parlamentares municipais, estaduais e federais, e até mesmo gente que se encontra instalada dentro do governo federal. Sem contar grandes setores da imprensa, notadamente Revista Veja, Folha de São Paulo e grupo Band, que se encarregaram de divulgar as mensagens roubadas dos celulares de diversas autoridades, cuja publicação sistemática busca incansavelmente denegrir a imagem dos principais atores do combate à corrupção, mais especificamente Moro e Dallagnol.

Em outra frente de combate está o Supremo Tribunal Federal, que abriu um inquérito absolutamente ilegal e inconstitucional, ferindo, também, além da Constituição Federal, os Código de Processo Civil e Penal, além do regimento e da jurisprudência da corte. Os ataques proferidos pelos ministros envolvem investigação de pessoas comuns por supostos ataques aos ministros, afastamento de auditores da Receita Federal que monitoravam transações suspeitas de ministros e familiares, abertura de inquéritos contra procuradores da Lava Jato (leia-se Deltan Dallagnol) e a suspensão de todos os processos investigativos que estavam sendo realizados pelo COAF – Conselho de Atividades Financeiras, organismo da Receita Federal. O que surpreende nesse último ato, é que a ação derive de um pedido de ninguém menos que um senador que é filho do presidente da república.

Para coroar o combate ao combate à corrupção, a Câmara dos Deputados aprovou, em regime de urgência-urgentíssima, a Lei de Abuso de Autoridade, que visa inibir a ação de policiais, juízes e procuradores da república. Mas não fica nisso. Os parlamentares agora pretendem mudar a lei das Delações Premidas, fundamentais para conhecer caminho e obter provas. Querem os parlamentares proibir que pessoas presas façam delação. Mas tem mais. O deputado petista Paulo Pimenta já se movimenta para colher assinaturas para abertura de uma CPI da Lava Jato.

Enquanto isso, o presidente do Senado já arquivou duas tentativas de abertura da chamada CPI da Lava Toga, com a finalidade de investigar as ações do Supremo Tribunal Federal, além de ignorar pedidos de impeachment de ministros do Supremo, assim como ignorar o apelo de diversos senadores para que esses pedidos sejam analisados pela casa.

No momento, Jair Bolsonaro está analisando a escolha do novo ocupante da cadeira da PGR, Procuradoria Geral da República, que será decisivo para entendermos o rumo que será adotado pelo governo no combate à corrupção. Ao mesmo tempo, tenta interferir em decisões internas da Polícia Federal. Um dos mais cotados no momento é Antonio Carlos Simões Soares, acreditem, indicação atribuída pela imprensa ao senador Flávio Bolsonaro, filho do presidente e autor do pedido que paralisou todas as investigações do COAF sem prévia autorização da justiça.

Em outra ação que faz parte da desestruturação de um dos braços que alimentava a Lava Jato de informações, o ministro Paulo Guedes assinou na data de hoje a Medida Provisória que extingue o COAF como conhecemos e o transfere para o Banco Central com o nome de Unidade de Inteligência Estratégica. O lado mais sensível disso, no entanto, é a extinção também da presidência do COAF, ocupada por Roberto Leonel por indicação de Sérgio Moro.

Bolsonaro também dá sinais de que não vetará na íntegra a Lei de Abuso de Autoridade aprovada pelo Congresso Nacional, mesmo recebendo imensa pressão das redes sociais, de associações da magistratura e do ministério público federal, de eleitores e cidadãos nas redes sociais, e recomendação de Sérgio Moro para vetar ao menos 9 artigos da lei.

A sobrevivência da Operação Lava Jato, nesse momento, só depende de fé, esperança, e de Deus, pois tudo indica que a história da maior operação de combate à corrupção jamais antes vista na história desse país está com seus dias contados. E os mocinhos sendo transformados em bandidos.

E para fechar com chave de ouro, não esqueçamos que, ao que tudo indica, a possibilidade de prisão após condenação em segunda instância deverá ser revogada pelo plenário do Supremo Tribunal Federal, o que significa colocar na rua o ex-presidente Lula, Sérgio Cabral, Eduardo Cunha, José Dirceu, João Vaccari Neto e mais de 140 mil assassinos, pedófilos, estupradores, traficantes e bandidos de toda espécie.

Definitivamente, a única Lava Jato que Brasília quer é a de lavagem de dinheiro.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.