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6 a 5, o inesperado resultado esperado por tantos brasileiros

6 a 5, o inesperado resultado esperado por tantos brasileirosAté o início do julgamento do habeas corpus de Lula, era senso comum na maioria dos brasileiros que o 6 a 5 se daria a favor de Lula.

A esperança do povo se acendeu no surpreendente voto da ministra Rosa Weber que, invocando o respeito à jurisprudência da corte, mas sem deixar de se dizer pessoalmente contra, denegou o habeas corpus, permitindo a todos vislumbrar que o 6 a 5 seria contra Lula. Foi nesse momento, também, que a luz se acendeu no lado da defesa do ex-presidente, e sem fazer trocadilho, inclusive, e principalmente, nos ministros cuja missão era evitar a todo custo que ele fosse preso.

O que se viu ontem na sessão do Supremo Tribunal Federal foi a verdadeira expressão do “nós contra eles”, tão propagado por Lula desde que surgiu no cenário político brasileiro. E foi de maneira tão acintosa, que a turma do “nós”, formada por Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski, Dias Tóffoli e Celso de Mello, não teve a menor vergonha de ficar vermelha, expressar raiva, menosprezar o voto de Rosa Weber e constranger os outros ministros, em particular a presidente Cármen Lúcia.

Como o ministro Gilmar Mendes antecipou seu voto para voltar para Portugal, coube a Marco Aurélio Mello, indicado para o cargo pelo primo Fernando Collor de Mello em sua passagem relâmpago pelo Palácio do Planalto, e, certamente, altamente interessado numa decisão do tribunal que beneficiasse Lula, de preferência livrando-o da cadeia e mudando a jurisprudência que permite o início do cumprimento da pena após confirmação de condenação em segundo grau.

Marco Aurélio Mello fez piadas, acusações, gastou quilos de ironias, e chegou a limite de dizer que respeitava a cadeira da presidência, deixando claro para todos que estava a dizer que não respeitava a ministra Cármen Lúcia. Tudo isso para salvar Lula, seu primo Fernando Collor de Mello e todos os corruptos com os quais ele tem o hábito de confraternizar desde que passou a ocupar a cadeira que senta no Supremo Tribunal Federal.

Mas, Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello, apesar do protagonismo (ou antagonismo?) são um capítulo à parte dessa história que tratarei em outro artigo, ainda hoje.

O que importa neste artigo é o resultado prático gerado pelo placar de 6 a 5.
Lula pode ser preso? Pode. Quando? Há controvérsia. Aliás, há muitas controvérsias, e eu, pessoalmente, só acreditarei nisso se o vir saindo de um camburão escoltado pela Polícia Federal e entrando na carceragem da PF ou em um presídio em Curitiba. Antes disso, prefiro aguardar.

Como ficou claro na sessão do Supremo, a defesa de Lula não dará descanso ou refresco à justiça. O advogado José Roberto Batocchio passou o julgamento inteiro com “a mão enfiada na cartola, de onde, ao invés de coelhos, tirava cobras e lagartos que jogava no meio do plenário” para ver que tipo de estragos consegui fazer ou a quem conseguiria amedrontar. Falhou em todos, inclusive no momento em que tentou emparedar Cármen Lúcia para que ela não votasse e para configurar o 6 a 5, alegando para isso que a “presidente não vota em habeas corpus”, um antigo artigo do regimento interno da Suprema Corte, há tempos revogado.

Mais do que isso, com a ajuda desesperada de Marco Aurélio Mello, Ricardo Lewandowski e Celso de Mello, Batocchio tentou ainda estender a liminar que garantiu a liberdade de Lula até o julgamento de ontem para o momento em que venham a ser julgadas as famigeradas ADCs – Ações Diretas de Constitucionalidades que visam revogar o entendimento do início da execução da pena após confirmação de condenação em segunda instância, que sequer foram pautadas, e que, a julgar pelo comportamento da ministra Cármen Lúcia, só serão tratadas se algum ministro levá-las ao plenário atropelando a pauta.

Que fiquem todos certos que não faltarão recursos e manobras escusas para tirar Lula da cadeia, e que o resultado de ontem, até o presente momento, garantem apenas mais um vexame histórico à biografia do ex-presidente.

Fosse qualquer outro o condenado em questão ontem, o tão comemorado resultado de 6 a 5 provavelmente seria a garantia de que a lei será cumprida e que a justiça será feita, mas não é assim que coisa funciona, não é assim que a justiça funciona e não é assim que funcionam os ministros que têm compromissos explícitos com a salvação de políticos corruptos.

O 6 a 5 garantiu que ninguém tomasse Chopp aguado ontem. Mas esse Chopp ainda poderá dar dor de barriga em muita gente. Aguardemos.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.