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1° de abril de 2018, o dia da mentira mais sincero dos últimos tempos

1° de abril de 2018, o dia da mentira mais sincero dos últimos temposNunca o 1° de abril representou tão bem a situação do Brasil. Vivemos em uma república de mentira há 33 anos. Nada na nossa república é de verdade, muito menos republicano.

Até os políticos de boa fé e de boas intenções mentem, porque a mentira, o blefe, o conto do vigário, fazem parte da política. Inclusive, se o sujeito, ou a sujeita, não for bom de mentir, ele não se elege.

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O brasileiro médio entende que precisa ser enganado.

Para o brasileiro pobre, ingênuo, sem cultura, sem escolaridade, sem trabalho decente, ou sem trabalho, todo dia é 1° de abril. Se não for assim ele vai ter que acreditar no tamanho da miséria que vive. É melhor viver de mentiras.

O brasileiro que ganha salário mínimo, vive em comunidade nas periferias com baixíssima qualidade de vida, de moradia, passando pelo alimento, pelas questões sanitárias e pela segurança precisa acreditar em alguma coisa, precisa ter esperança.

Hoje em dia, quem mora nessas zonas das cidades não sabe se volta vivo para casa, nem se encontra viva a família que deixou em casa. Não sabe se volta derrotado sem poder suprir as necessidades da família, ou se alia ao jeito fácil – e perigoso – da marginalidade.

Será que os ministros do Supremo Tribunal Federal, verdadeiramente, sinceramente, republicanamente, pensam nessas pessoas quando mentem ao povo com transmissão pela TV, pelo rádio e pela internet? Para eles, toda acusação contra corruptos é um 1° de abril, que, em contrapartida, merece um voto, uma liminar ou um despacho 1° de abril que corrija a distorção causada pela realidade.

A relação dos políticos com os brasileiros é um eterno 1° de abril. As leis são 1° de abril, as discussões são 1° de abril, as acusações são 1° de abril, as defesas são 1° de abril. A realidade não existe no Congresso Nacional. Senadores e deputados federais sabem da realidade do povo brasileiro, mas não tomam conhecimento de suas necessidades.

Cito como lamentável o fato de que de modo geral nossa indignação também seja 1° de abril. Nos indignamos à distância, falamos em círculo imaginando que falamos com milhões, porque, por n motivos, não nos relacionamos com quem se opõe ao que pensamos e vice-versa. Mas, ao mesmo tempo, também não nos fazemos forte para levantarmos as vozes à uma altura suficiente para sermos ouvidos.

Compramos e inventamos desculpas 1° de abril para não participar, quando o verdadeiro motivo é o comodismo, a falta de noção de civismo. E é civismo, porque patriotismo e nacionalismo são dois outros tipos de 1° de abril. No dicionário encontramos como definição de civismo: 1. dedicação pelo interesse público; 2. observação dos deveres de cidadania; 3. respeito pelos valores da sociedade e pelas suas instituições; 4. comportamento de quem age com civilidade.

O que será o bastante para tirar o povo brasileiro da inércia?

Não nos escandalizamos com mais nada. Crimes de lesa pátria são divulgados diariamente e reagimos com memes, piadas, tiradas e tocamos em frente.

Pessoas morrem diariamente vítimas de balas perdidas e achadas, em corredores, macas e filas de hospital. Exames de urgência são marcados para até mais de um ano depois e muitas morrem antes mesmo de conseguir o diagnóstico ou tratamento.

Motoristas e passageiros morrem em estradas precárias como a BR262, cuja precariedade também afeta diretamente o escoamento de produtos por ser uma das principais ligações do Sudeste com o Nordeste, encarecendo a vida de todos.

As escolas deformam nossas crianças, introduzindo distorções da realidade em questões fisiológicas e lógicas, produzindo gerações de pessoas vazias, muitas das quais passarão sua vida sem conseguir ser algo mais do que um dado estatístico em alguma planilha dos governos municipais, estaduais ou federais. Xingamos, esbravejamos, mas não fazemos nada.

Não tomamos nenhum tipo de medida ou ação que proteja a sociedade.

Quando muito, protegemos os nossos pagando uma boa escola particular, mas que mesmo assim não consegue combater nos nossos filhos, sobrinhos, netos, a forte influência que o ambiente social tem neles, principalmente pelo franco acesso à internet e as redes sociais.

Nossa cultura de massa sempre foi expressada pela música, mas o último movimento que expressou um compromisso com a sociedade foi o rock dos anos 90, quando várias bandas faziam rock de contestação. Barão Vermelho, Skank, Capital Inicial, Cazuza, Titãs, e, principalmente, Legião Urbana com as letras contundes de Renato Russa, cuja principal pergunta não foi respondida até hoje: que país é esse? De lá para cá a música brasileira se submeteu a agenda do emburrecimento coletivo, e com o apoio explícito de quem antes do rock dos anos 90 brigava com o regime militar por educação e cultura.

Amanhã de manhã, se você encontrar o coelhinho da páscoa escondendo ovos de chocolate pelos cantos da casa, não esqueça de desejar a ele um feliz 1° de abril. Ele sabe bem a responsabilidade que é fazer parte da uma mentira.

Mas, se não encontrar, não se decepcione, nem deixe de fizer para as crianças que ele esteve por lá, mas é muito espero para se deixar ser visto. A maioria delas entenderá isso enquanto for conveniente. Elas sabem que quando deixam o coelhinho some, e com ele os ovos de chocolate. É só uma questão de conveniência.

Feliz 1° de abril!

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.