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O QUE PODEMOS FAZER PELA VENEZUELA?

E O QUE DEVEMOS APRENDER COM ISSO?

Em primeiro lugar, rezar. Rezem, orem, mandem energias, bons fluídos, pensamentos positivos, façam torcida, enviem mensagens de apoio, mostre que estão com eles. Depois pode-se sempre pegar um voo pra Caracas ou ir de carro até o norte do Brasil e entrar na Venezuela a pé disposto a atacar pedras no exército de maduro. E talvez as opções são essas.

É de improvável a impossível imaginar que algum país ou alguma coalizão de forças vá invadir a Venezuela. E mais improvável ou impossível que isso viesse a ser uma missão para os capacetes azuis da ONU. Nesse tipo de conflito capacete azul serve mais de alvo do que de segurança para alguém.

Expulsar a Venezuela do Mercosul é um mero ato diplomático. Primeiro porque o Mercosul não serve para nada. Segundo porque a Venezuela estar ou não estar numa entidade que não serve para nada não muda em nada o tamanho do que esse nada significa.

Sanções comerciais ou embargos “a la Cuba” também não servem para nada. Se servissem Fidel Castro não tinha apodrecido no poder e o doidinho do Kin Jon Un não ia ficar brincando de soltar míssil transcontinental e “dando banana” para o que pensa o ocidente.

De fato, mesmo, pouco ou quase nada além de expressar solidariedade pode ser feito.

Mas, se não podemos ajudar lá, podemos e devemos ajudar cá.

O aprendizado que o Brasil precisa tirar desse episódio da Venezuela é que só o povo consegue tirar ditadores bananescos e ladrões do poder, seja de maneira democrática, pelo voto, ou na porrada, como está sendo lá. Precisamos prestar muita atenção nisso.

Talvez tenhamos tido a sorte ou a lucidez de interromper o caminho que nos levaria a ser uma Venezuela. Mas o serviço ainda não está completo. O povo precisa ir para as ruas, e fazer da sua indignação as pedras, bombas e coquetéis molotov que, hoje, os venezuelanos jogam contra seu exército e contra as milícias bolivarianas.

Temos, também, ainda, a possibilidade de usar uma arma mortífera chamada voto. Mas não pode ser nas urnas eletrônicas com software bolivariano e Gilmar Mendes na presidência do TSE. Tem que ser no papel, no voto a voto, com fiscais dos partidos e da população conferindo de perto a apuração. E se possível até com observadores internacionais.

A esquerda perdeu no Brasil, como está perdendo na Venezuela e vai perder nos outros lugares, porque o regime não funciona, como não funcionou em lugar algum do mundo onde foi implantado. A esquerda é uma invenção daqueles que não se conformam em ter que produzir e querem ser sustentados da mesma maneira, nem que para isso a igualdade se dê tirando tudo de todo mundo.

Os brasileiros precisam tomar as ruas novamente, fugindo da ideia de que isso beneficia a esquerda ou prejudica a direita ou coisa parecida ou qualquer outra justificativa que se dê. Ruas vazias significam contentamento, comodismo, acomodação e, principalmente, cumplicidade.

Não se faz omelete sem quebrar os ovos. Mas precisamos fazer alguma coisa enquanto ainda tem ovos. Na Venezuela nem isso tem mais.

O que podemos fazer pela Venezuela de verdade é não ser uma. Por mais justas que sejam as preocupações e manifestações, temos que olhar para o nosso umbigo. Ainda não estamos cem por cento livres do destino que tiveram nossos hermanos. E, cá para nós, sejamos sinceros, o povo votava em massa em Hugo Chaves. Demoraram para acordar.

HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.