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NÃO ADIANTA ESPERNEAR. VAI TER AUMENTO DE IMPOSTOS.

E TODO MUNDO VAI PAGAR. NÃO QUIETO. MAS VAI PAGAR.

O brasileiro é o cara que quase mata a sogra quando sabe do aumento da gasolina, e no dia seguinte encosta o carro na bomba de gasolina e diz para o frentista: enche o tanque. Fala que a gasolina está cara, xinga o governo e toca a vida. Não vai na padaria a pé.

O governo sabe disso. Sabe que o povo não vai parar de fumar porque aumentou o cigarro. Não vai parar de beber porque aumentou a cerveja. E não vai deixar de andar de carro porque aumentou a gasolina.

Ninguém vai protestar enfiando o carro na garagem para ir trabalhar de ônibus, o transporte não tem qualidade para isso. E nas atuais condições, se todo mundo decidisse fazer isso no mesmo dia, ia faltar ônibus, metro, táxi e Uber.

Em 1985, no auge do Plano Cruzado, do Sarney, a carne era vendida com ágio de até 200%. Ao contrário de boicote, o que aconteceu foi uma enxurrada de consumidores orgulhosos de terem pago os olhos da cara para comer carne.

Já entre 1989 e 1991, com sucessivos aumentos de gasolina, dezenas de carros faziam grotescas filas para abastecer antes do aumento, economiza uma quantia inexpressiva de dinheiro naquele abastecimento, e do próximo em diante ia pagar o preço que fosse e ponto final.

Portanto, esperneie à vontade. Xingue nas redes sociais, desabafe com os amigos, ameace que não vai mais dar dinheiro para esse governo, diga que é contra a corrupção, que todos deveriam estar presos. Ninguém pode te tirar esse direito. Mas consciente de que vai continuar pagando o preço de tudo isso.

As redes sociais ajudam muito, coletivizam mais o pensamento da opinião pública mais esclarecida, geram certa pressão no governo e nos políticos. Mas só isso, ou tudo isso. Porém, cada minuto gasto na internet, e se for de celular mais ainda, gera polpudos impostos para municípios, estados e governo federal, como tudo o que consumimos.

Ninguém vai sair da internet, vai? Não. Nem vai deixar de pagar combustível mais caro, eletricidade mais cara, leite, carne, automóvel, passagem de ônibus, remédio, cerveja, cigarro…

Esperneemos.

 

HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.