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Tiffany, tudo bem se você ficar no banco masculino, por enquanto?

Tiffany, tudo bem se você ficar no banco masculino, por enquanto?Estava buscando no Google referência sobre as cores da Tiffany, pois sou fã do tom verde da marca e essa cor será referência para criação de uma logomarca pessoal. Na busca também apareceram matérias sobre uma jogadora de vôlei transexual chamada Tiffany. Fiz algumas leituras pela curiosidade de um dos meus esportes favoritos e também pela polêmica que estava girando sobre o tema.

Tiffany joga pela seleção de Bauru desde o ano passado, na Superliga de Voleibol Feminino. E segundo matérias mais incisivas existem críticas por ela estar lá e ser transexual.

Segundo a Wikipedia, transexualidade é quando “alguém se identifica com o gênero oposto”.

Em graúdos seria a não aceitação do até conhecido sexo biológico, aquele com o qual nascemos. E a pessoa tem a possibilidade de, quando não se identificar, começar a transição para o sexo que quer ter. E que fique muito claro o verbo aqui: é o ter e não o ser. Nessa escolha, portanto, não dá apenas para nascer. Tem que começar todo um processo envolvendo homens sem a participação operacional de Deus e com isso deixa de ser natural, demorado, caríssimo e cheio de etapas.

A jogadora do Bauru já fez todas as cirurgias necessárias para a transição de sexo, que hoje estão buscando definir como gênero. Ela tem, portanto, segundo os enquadramentos científicos e de acordo com os processos que foi submetida, uma genitália. Ela, portanto agora, se identifica como uma mulher. E segundo os departamentos internacionais de vôlei, como ela também foi identificada pela medicina como mulher, é uma jogadorA de vôlei e por isso tem que jogar em times femininos.

E logo que começou sua carreira como jogadora numa seleção feminina, iniciou também a quebra de alguns recordes com excelentes pontuações em saques e cortadas. Oi??? Seria diferente?

Ela cresceu com gênero masculino, mas se identificou com o feminino. E desde cedo começou a lutar contra a sociedade hipócrita que a enxerga como homem, passou por procedimentos incisivos que justificam sua permanência num universo de disputa para mulheres.

O sistema biológico masculino produz número muito diferente de testosterona que o das mulheres. Os competentes órgãos internacionais da confederação de vôlei exigem que todo atleta trans passe por um ano de tratamento para reposição hormonal. Isso significa que o corpo masculino receberá doses adequadas e necessárias até chegar a carga hormonal feminina. E Tiffany fez isso por longos 365 dias. Ela está, segundo os deuses médicos, em conformidade com o time mulheril. Sei.

Joguei vôlei. Não fui atleta de alto nível por necessidades básicas de sobrevivência. Mesmo assim participei muito de treinos e até levei boladas e mais boladas treinando e jogando contra homens. Era uma forma disponibilizada pelo treinador para um possível avanço, um treino mais pesado, exigindo de nós mais concentração e coragem.

O que acontecia é que muitas de nós conseguíamos poucas defesas e mais esparramávamos quando as bolas chegavam nas velocidade e força que chegavam. Esparramávamos mesmo. Corríamos longe da possibilidade de defendê-las. Mas valia pelo treino de algumas mãos vermelhas pelas defesas e pelo exercício aeróbico que ele promovia. Nada de diplomacia, era só porrada mesmo.

Se Tiffany precisa se submeter a exames para comprovar que seu sangue está com quantidade mínima de testosterona encontrada num corpo feminino, isso é indício que algo há, de diferente e com certeza desqualificatório.

Manter o nível feminino de testosterona pode mexer na densidade óssea e a pessoa pode perder a massa muscular e em consequência reduzir a força física. Mas quem pode medir TODO o histórico biológico de vida de alguém? O sangue é apenas uma forma. E a força emocional? E todos os repertórios cognitivo e emocional que foram criados e fortalecidos de acordo com a vida constituída e organizada com a herança genética masculina?

O corpo humano é formado de mente também e nela estão todas as ramificações sinápticas de toda uma vida. Tudo o que o indivíduo aprendeu estão conectados no cérebro e responde aos estímulos de acordo com o que foi implantado ao longo de sua existência. E tem muita coisa armazenada no HD mental até uma cirurgia de transfiguração de gênero que ocorre após os 21 anos de idade. E só a partir de 21 anos é possível, pelo menos na legislação vigente. Isso significa que antes de ser a transexual Tiffany ela foi um homem, com histórico de 21 anos de macho. E isso simplesmente desapareceu depois das cirurgias e da reposição hormonal?

Outro ponto: o que está impedindo as demais jogadoras de atingirem os altos índices de recordes da Tiffany? Mais treino, mais suor? Mais comprometimento? Mais iniciativa? Mais amor pela camisa? Ou será que a jogadora Tiffany não está fazendo uso de qualificações que são incompatíveis com jogos em equipe e que estão destoantes de seu sexo, quero dizer, seu gênero de nascença? Por que é mais fácil alegar uma gama de preconceitos ao invés de percebermos que ela é a diferente do time e da Liga?

Nunca ouvi falar de mudança de gênero até recentemente. E tudo bem quem quiser ser, ter e fazer o que for. Mas não, não venha com a ideia ou o conceito que gênero é uma construção social. Não, não é meu caro!

Gênero é uma construção DI-VI-NA! Que cada um use a prótese ou a fantasia que lhe convier. Invente botões ON e OFF e os usem quando quiser acessar o módulo fêmea ou módulo macho. Para mim tanto faz a sua individualidade. Mas em modalidades em que se exige equivalência biológica, não me venha dizer que cirurgias e acompanhamentos por exames de sangues são suficientes. Que se crie uma nova Liga, uma nova modalidade para pessoas transexuais, para assim, competirem em igualdade, inclusive, de posicionamentos.

Por Leila Previati Alves Cardoso

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