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PM Juliane era pobre, negra e homossexual. Só não era militante do PSOL.

PM Juliane era pobre, negra e homossexual. Só não era militante do PSOL.Quem matou a PM Juliane? Alguém ouvir Marcelo Freixo fazendo essa pergunta hoje? Ou Jean Wyllys? Caetano Veloso fez algum pronunciamento? Chico Buarque, quem sabe? Manuela D’Ávila? Guilherme Boulos? Ciro Gomes?

O que a mídia diz é um “dane-se quem matou Juliane. Ela era PM.” Não era esquerdista, não era sindicalista, e, segundo insinuado na matéria da Folha de São Paulo, uma homossexual um tanto quanto promíscua, em estado alcoólico, como se esses fatos justificassem sua morte ou a desimportância dela.

Juliane morreu porque era PM e não porque era pobre, negra ou homossexual, mas não deixará de ser lembrada quando essas condições forem tratadas estatisticamente, assim como a mídia nacional trata a morte de policiais militares.

Ninguém fala que Juliane, por condição socioeconômica, vivia em uma favela dominada pelo PCC. Ninguém trata devidamente as centenas ou milhares de policias que moram nas favelas, tendo criminosos como vizinhos, sendo obrigados a viver (ou tentar viver) em comunidades sob o comando de criminosos, temendo diariamente por suas vidas e, especialmente, pela vida de suas famílias que passam o dia num cotidiano de vida ou morte, bala perdida, ou achada, como no caso da PM Juliane.

A maneira cega e mesquinha com que a Folha de São Paulo retratou as últimas horas de Juliane evidencia os pesos e medidas diferenciados que são usados quando morre alguém “ligado à causa da esquerda”. Marielle era bissexual, Juliana homossexual. Marielle oriunda da favela, Juliane uma favelada. Marielle uma parlamentar. Juliane… ah! Juliane era só uma PM.

A mídia precisa de notícias, e precisa encaixar essas notícias na agenda progressista/esquerdista que defende. PM que morre não é notícia, ou só mais uma notícia sobre o mesmo assunto. E mesmo que pertença a alguma “minoria” ligada à raça, sexualidade ou classe social, o fato de ser PM justifica seu extermínio, cabendo artigos escrotos como esse da Folha de São Paulo.

Mas, fosse o contrário, e a PM Juliane tivesse exterminado 4 elementos armados num bar de uma favela, a mesma Folha de São Paulo, e seus associados ideológicos, estariam exigindo a punição da policial, expondo as vísceras da corporação policial e enaltecendo as estatísticas de mortes causadas por policiais. Mas não foi. Ela só morreu. E vai virar estatística, porque não veremos Marcelo Freixo ou Caetano Veloso perguntando quem matou Juliane. Para eles, dane-se a Juliane. Quem mandou ser PM?

Marielle era uma vereadora do PSOL, de esquerda, que combatia (?) as milícias, abatida friamente em seu carro com motorista, em questão de segundos, merecedora, portanto, da medalha da inconfidência dada por Fernando Pimentel e recebia por… sua viúva.

Juliane era PM, foi apenas tirada de combate pelos bandidos que combatia no seu cotidiano, após ser torturada dois dias e encontrada morta no porta-malas de um carro qualquer, com um tiro na cabeça. Se receber alguma medalha pós morte essa será dada pela corporação a que pertencia, sem nenhuma viúva para receber.

Morte no Brasil, para valer alguma coisa, tem que fazer parte da agenda. Se não fizer vira só estatística mesmo.

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HS Naddeo

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