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Pedofilia não começa na internet. É a sociedade que está doente.

Pedofilia não é começa na internet. É a sociedade que está doente.A deflagração dessa megaoperação da PF contra redes de pedofilia trouxe o questionamento sobre o limite do que é possível ou não é possível se fazer pela internet. Qual deveria ser o limite? Como isso deveria ser monitorado? Por que não é monitorado ou retirado? Perguntas que colocam a internet como vilã da pedofilia, quando ela é nada mais nada menos que um meio.

Para chegar a um limite que permita um amplo monitoramento e intervenção nos conteúdos será preciso invadir a privacidade e a liberdade individual as pessoas. Não há outra forma de fazer isso pela internet, onde todo mundo é apenas um IP, e para saber quem está por trás de cada IP é preciso interceptar dados. E mesmo não sendo legítimo e nem legal, já fazem isso de alguma maneira, o que permitiu chegarem aos 251 presos da operação “Luz da Infância II”.

A internet é só uma amostra do que é a nossa sociedade, um reflexo digital. A pedofilia existe desde sempre porque esse é um comportamento inerente ao ser humano. A pedofilia é, de fato, uma doença. E não estou concordando com a esquerda quando fala isso. É uma doença cujos efeitos acabam em crimes hediondos, e assim tem que ser tratados e os responsáveis punidos.

Ao contrário do que prega a esquerda, a pedofilia não é uma doença social praticada por pessoas que são vítimas da sociedade. O rol de 251 presos pela PF nessa megaoperação revelou um grupo absolutamente heterogêneo, tanto nas camadas sociais a que pertencem, como nos níveis educacionais e profissionais.

Segundo o site O Antagonista, no seleto grupo de pedófilos presos em flagrante (agora chamados de “investigados”) havia médico, humorista, zelador, enfermeiro, policial, psicólogo, professor, agente socioeducativo, ajudante de pedreiro, metalúrgico, advogado, padeiro, editor de imagens, radialista e empresário. E então pergunto: o que a internet tem a ver com isso?

Estamos doentes. O mundo está doente. A pedofilia é só uma dessas doenças.

A política, a religião, o fracasso do atual sistema social mundial, a ineficiência dos sistemas educacionais, tudo contribui para que sejamos uma sociedade mais apta a produzir pedófilos, assassinos, criminosos, homens bomba, estupradores. E não dá para imaginar ao certo aonde isso vai chegar.

A internet pode ser limitada. Os seres humanos não, a menos que isso seja feito por opressão. E foi justamente para se contrapor a qualquer tipo de opressão que inúmeros valores foram flexibilizados e extintos das sociedades modernas, resultando no aumento da exposição dessas anomalias psicossociais, que sempre existiram. A internet é só um facilitador por garantir certo anonimato e uma pretensa impunidade.

Vários estudos mostram que na maior parte dos casos de pedofilia o molestador é alguém próximo da vítima, um tio ou tia, primo ou prima, vizinho ou vizinha, amigos da família, gente com acesso fácil às crianças. Mais uma vez, a internet não tem nada com isso.

As crianças de hoje em dia sofrem exposição pelos pais na internet. Google, Facebook e Instagram são vitrines da vida íntima das pessoas, e são as próprias pessoas que publicam fotos e vídeos de seu cotidiano, de sua intimidade, de sua privacidade, em especial a intimidade e privacidade das crianças, que não têm idade, liberdade, discernimento e possibilidade de proibir que isso aconteça.

Computadores, tablets e celulares hoje estão ao alcance de pequenos com 4, 5 anos, começando com joguinhos, e à medida que cresce, adquirem liberdade e habilidade precoce para transitar pela internet, a grande maioria sem monitoramento dos pais ou responsáveis, e também uma grande maioria sem ativar nas configurações os recursos que impedem acesso a determinados tipos de conteúdo.

A evolução tecnológica não tem fronteira, e a cura para nossos problemas sociais não passa pela restrição das liberdades individuais, mas pela permanente penalização das violações das regras sociais e legais praticadas por qualquer um, seja doente ou não.

É preciso que repensemos o que é opressão e o que são valores. Sociedades não precisam de opressão, mas precisam desesperadamente de valores que norteiem a convivência antes mesmo das leis. Uma sociedade que não entende o que são valores não consegue entender o que são leis, menos ainda para que elas existem.

Não podemos demonizar a tecnologia. No caso da foto que ilustra o artigo ela teve uma função positiva. Sem ela o pedófilo teria tido êxito e dificilmente saberíamos disso.

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