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STF acovardado? Não. Acovardados estão o povo e as Forças Armadas.

STF acovardado? Não. Acovardados estão o povo e as Forças Armadas.Quando Lula disse que o STF estava acovardado ele usou a palavra errada. Naquele momento o STF estava apenas envergonhado. O que destravou a timidez de certos ministros foi a armação da gravação da JBS, que de uma vez só abateu Rodrigo Janot, o Ministério Público Federal, a justiça federal e ainda deu a Temer as condições necessárias, uma “certa legitimidade” para pôr o pé no freio da Lava Jato.

Derrubados os empecilhos e recuperada a autoconfiança, Gilmar Mendes encabeçou o enfrentamento à justiça, o que não deixa de ser engraçado escrever, um ministro do Supremo Tribunal Federal fazendo um enfrentamento à justiça. Com ele, e, também, sabe-se lá sob que tipo de pressão, Dias Tóffoli, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello puderam voltar a agir como sempre agiram, sem que antes vivessem sob tantas lentes e holofotes.

O STF não está acovardado. Nos gabinetes e corredores da corte trava-se uma guerra entre um grupo disposto a enfrentar os corruptos e outro disposto a enfrentar o combate à corrupção. Não significa, no entanto, que um grupo seja melhor ou menos comprometido que os outros, mas existem posições claras de cada lado, mesmo que sejam de conveniência.

Covarde é o povo brasileiro, e não me refiro ao povo menos esclarecido ou a camada mais pobre da população. Covarde é o cidadão médio, informado, esclarecido, indignado, mas, mesmo assim, absolutamente incapaz de reagir à usurpação de sua cidadania. Um povo que não se abala com escândalos, que é cada vez mais incapaz de se reunir em torno de um nome ou uma causa.

O empregado não tem coragem de não ir trabalhar em protesto aos acontecimentos. Nenhum empresário, pequeno, médio ou grande é capaz de fechar seu negócio por um dia em protesto a nada. Todos que tem alguma fonte de renda se escoram na justificativa financeira para não fazer nada. Estão certos? Estão errados? Fazer esse julgamento chega a ser injusto com as necessidades e prioridades individuais, mas a inércia é um grave sintoma de que o povo brasileiro só consegue pensar no país para as próximas horas ou semanas. Poucos ousam tentar enxergar um Brasil melhor para nos próximos 10, 20 ou 50 anos.

O povo brasileiro é acomodado, e a máxima de que basta a cerveja gelada, o futebol e uma pancada de feriados no ano nunca foi tão assertiva. Somos acomodados. E a acomodação não deixa de ser uma espécie de covardia, senão consigo mesmo, com os outros. Sair da inércia dá trabalho, oferece riscos, expõe as pessoas e nosso povo não é muito dado a isso. Vide o próprio descobrimento do Brasil onde não demorou muito para que os índios se aliassem aos invasores portugueses inclusive para combater outros invasores europeus. Dá para dizer que o Brasil já nasceu com síndrome de Estocolmo.

A torcida, então, passou a ser para que as Forças Armadas fizessem um enfrentamento à situação. Mas estão mais acovardadas do que nunca. Isso fica muito bem ilustrado na figura máxima do Exército Brasileiro, o General Villas Boas, que comanda a tropa na forma de uma frágil figura em uma cadeira de rodas. Belos discursos, belas postagens no Twitter, mas vindas de um homem cuja vitalidade física reflete na vitalidade das palavras que fala. Penso inclusive que o General Villas Boas deveria renunciar ao comando do Exército Brasileiro.

Da Marinha e da Aeronáutica não sabemos nem dizer. Quem sabe alguma coisa a respeito do Almirante de Esquadra Eduardo Bacellar Leal Ferreira? E do Tenente-Brigadeiro do Ar Nivaldo Luiz Rossato? Provavelmente, só quem faz parte das referidas armas ou acompanha com lupa o noticiário. A mídia só fala os nomes deles em notícias sobre solenidades ou se algum dois fizer algum comentário mais ácido que mereça destaque. Não sendo isso, no imaginário das pessoas, as Forças Armadas continuam atreladas à representação de um general de exército sentado numa cadeira de rodas.

O povo é incapaz de promover espontaneamente uma manifestação, e não há na sociedade civil nenhum movimento organizado que tenha competência para estruturar um movimento de oposição aos sucessivos desmandos do STF e dos políticos. No Brasil não há sequer uma ala política que se possa chamar de oposição, e que seja capaz de arregimentar as pessoas para combater o governo e o STF.

Os poucos que se atrevem a fazer alguma coisa acabam cooptados pelo sistema e sua agenda, ou fazem como faz todo oportunista e se engajam na política para tirar proveito dela. E os raros e poucos políticos que mantém a resistência, são sufocados por acusações infundadas que geram absurdos processos no STF, na mais clássica aplicação do “assassinato de reputações”, tal como descrever Romeu Tuma Jr. em seu livro quando descreve o modo de operar que marcou o PT desde sua fundação.

Os militares que se atrevem a reverberar o sentimento do povo brasileiro, ou estão na reserva, ou são mandados para a reserva, como aconteceu com o General Mourão. Os ativos continuam confinados numa cadeira de rodas ou no anonimato da desimportância com a qual desempenham suas funções.

O STF não está acovardado. Está agindo diante dos nossos olhos, acompanhado e propagado pela mídia, praticando os mais abusivos absurdos contra a Constituição Federal e contra o povo brasileiro, à luz do dia, com transmissão ao vivo pela TV e pela internet, para quem quiser ver.

Diante dos fatos, não há muito mais o que dizer. Gilmar Mendes, Dias Tóffoli, Ricardo Lewandowski, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello não são covardes. E quando praticam algum tipo de covardia é contra o povo, contra a Constituição Federal, porque sabem que do lado de cá a covardia é ainda maior.

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