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Minha barba foi preta, grisalha, agora é branca. Jamais vermelha.

Ontem, no Twitter, me envolvi num debate desses que a gente nem entende bem como começou, mas por uma indignação pessoal sobre uma matéria publicada pelo Estadão, falando do uso de glitter por homens, para deixar a barba vermelha. Meu comentário realmente não foi polido, muito menos educado. Mas foi a expressão da minha opinião, da mesma maneira que no Twitter são publicadas mensagens de homofobia explícita, racismo, drogas, violência, crianças precocemente sexualizadas e expostas à drogas, armas e violência.

Primeiramente, não me dirigi ao público LGBT. Meu comentário foi relacionado às pautas que, direta ou subliminarmente, incentivam comportamentos que só tem mesmo a ver com a cabeça dos editores e não com o anseio da maior parcela da sociedade.

Em segundo lugar, mais do que incentivar pautas estranhas, penso que essas matérias têm ainda como objetivo criar polêmicas que desviem a atenção dos leitores dos assuntos que são realmente caros à população, mesmo se publicadas às vésperas do carnaval.

E concluindo, exerci o direito de expressar a minha opinião, mesmo que eu tenha citado o público LGBT ao qual não me dirigia. Liberdade de expressão é algo que enfiaram na cabeça das minorias que só elas têm direito de fazer, e isso não é verdade.

Na sequência desse episódio, recebi uma enxurrada de manifestações dos LGBTs e simpatizantes, como se eu tivesse cometido um crime, onde além de homofóbico fui chamado de machão e velho, os quais respondi à altura do que recebia, motivo pelo qual fui denunciado ao Twitter como comentário homofóbico, e resultou no bloqueio da minha conta por 12 horas.

Das curiosidades advindas desse episódio, duas merecem destaque: muitos dos LGBTs que me acusaram de estar em dúvida com a minha sexualidade, me chamando de gay enrustido, ou seja, a mesma teórica ofensa que eu teria feito foi usado para me ofender; ao mesmo tempo, ganhei 54 novos seguidores no Twitter em função dessa polêmica, o que me faz pensar que mais gente pensa como eu do que o contrário.

Não pretendi e não pretendo ser unanimidade. Não pretendi estar certo ou receber das pessoas adesão à minha opinião. Apenas exerci meu direito de tê-la e defendê-la.

Penso que as pessoas devem ser coerentes nas suas opiniões, mas principalmente nas suas argumentações. Só que o que temos é uma parcela de pessoas que defendem seus pontos de vista sem argumentação, partindo para a ofensa e o xingamento na tentativa de constranger que tem opinião diferente.

Posso mudar as palavras, a forma de falar, medir a agressividade das minhas expressões, não usar palavrões ou palavras ofensivas nos momentos de maior indignação. Mas sempre me reservarei o direito de dizer o que penso, sem ter que me preocupar com simpatias ou comportamentos politicamente corretos. E me desculpo com os que se ofenderam pela forma como falei, mas nunca pela forma como penso.

Continuarei bloqueado no Twitter até as 9 da noite de hoje. Mas as pessoas que me atacaram e xingaram continuarão postando normalmente, ofendendo, xingando e constrangendo qualquer um que pense diferente delas, assim como outros que postam crianças dançando funk, ou os que postam armas e vídeos sobre violência. E esse é o politicamente correto do Twitter e das demais redes sociais.

Não me orgulho da polêmica, não me orgulho de ter ganho seguidores em função dela, e nem comentei nada com esse objetivo. Mas não fujo a um debate, coisa que nem todo mundo sabe fazer.

Antes de dormir, e antes mesmo de ter sido bloqueado, fiz essa postagem, coisa de quem já teve a barba preta, grisalha e que agora, aos 54 anos, mais do que uma barba branca, tem opinião. E o direito de expressá-la.

Vida que segue.

 

HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.