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Joice Hasselmann, Jovem Pan, Veja. E muita coragem!

Joice Hasselmann, Jovem Pan, Veja. E muita coragem!O último episódio profissional de Joice Hasselmann me fez ver que estou precisando de uma bússola.

Ou talvez não esteja vendo como manda a era cibernética. Ops! Termo ultrapassado. Era digital. Ou tem expressão mais atualizada? Mas também, quer algo mais antiquado que ser da época em que Fernando Henrique Cardoso e Lula eram rivais políticos?

Bem pouco tempo atrás, não saberia escalonar o período, a revista Veja era conhecida como um dos maiores inimigos do PT (Partido dos Trabalhadores) e da esquerda. Tirei esse pensamento de em meu universo particular de acordo com meu conhecimento de mudo, das minhas leituras, das minhas interpretações da realidade e das minhas observações. Essa conclusão, portanto, é de minha responsabilidade e pseudoautoria. Salvo pelas influências que tive e as incorporei que, logo, articularam meus pensamentos e minha dedução sobre os posicionamentos da Veja.

Recentemente a jornalista Joice Hasselmann foi afastada do programa Pingos nos Is da Jovem Pan. Usando de eufemismo, a emissora preparou um “pacote” em que vinha explícito que ela estava fora do programa em que era âncora. Teria como recompensa, no entanto, um espaço só para ela. Isso tudo foi planejado e enjambrado durante uma viagem dela. Ao retornar encontrou o pacote, mais conhecido por demissão, em cima da mesa. Era pegar ou largar.

Ela ainda fez uma contraproposta pedindo total controle e autonomia de seus pensamentos e ações e a total exposição deles no programa pretendido pela rede. A emissora não aceitou. E ela, então, entrou com as nádegas.

É de amplo conhecimento que Joice, conhecida no Paraná como Pimentinha, tem ideologia enraizada e possui argumentação de sobra para sustenta-la.

Conheci Joice através do Jornal da Massa da Rede Record, um programa que tinha como slogan Opinião e Personalidade e era transmitido diariamente de segunda a sexta das 7 às 7:30 aos paranaenses. Depois soube que estava na Revista Veja devido a publicações de seus vídeos da TVeja através do Facebook. No final do ano passado, também aleatoriamente, tive acesso às gravações do programa Pingos nos Is. Eu não a seguia, ela que me encontrava…

E o que a Jovem Pan e a Revista Veja têm em comum nesse contexto? Joice Hasselmann, obviamente.

E o que aconteceu para ela ser descartada ou romper o contrato com as duas corporações? Jogo que seja o fato de estarem contrários aos alinhamentos, interesses e estratégias políticas do mundo corporativo privado. Quando atacamos os políticos, geralmente referenciamos o poder público como o único responsável pelas mazelas sociais. Mas não é.

Lula conseguiu ser eleito pelo caloroso, vibrante e social discurso em favor do assistencialismo e da equidade social. Não tinha, segundo ele, apoio das grandes mídias e dos grandes empresários. Foi presidente na sua persistência e na expectativa do povo de sair da miséria física. Mas no percurso (e na minha singela opinião, muito antes dele) se deu conta, assim do nada, que seu caminho seria mais grandioso estando aliado a grandes grupos empresariais e publicitários. Prova disso é que numa entrevista concedida à Folha de São Paulo publicada em 01/03/2018, Lula disse: “Você há de convir que tenho um comportamento exemplar no meu tratamento com a impressa brasileira”. Cada um entende da forma como quiser essa declaração, ok?

Há um ditado que diz que ninguém bate em cachorro magro. E também sou da opinião que ninguém enfrenta um gigante sem uma pedra na mão. Talvez tenha sido por isso que, ao folhear a revista Veja nos governos do PT, se via muita propaganda do Governo Federal. Cachorro Magro e Gigante fizeram associações, ou conchavos, como ficar melhor e adequado. E nesse relacionamento ora um era cachorro magro. Ora outro era gigante. E Veja parou de bater tanto. E a enaltecer mais.

E Joice? 

Não acompanho a carreira dela. Sei o que sei pelo meu limitado acesso à mídia social.

Existem várias hipóteses para as prováveis demissões dela na Jovem Pan e na Revista Veja, incluindo a incompetência, dirão os invejosos. E também o fato de ela ser severamente contundente em seus posicionamentos.

Sempre há muito mais do que simples acontecimento ou fato. Há a verdade de um, a verdade de outro e a verdade verdadeira. Mas ela foi a única que se manifestou publicamente esclarecendo o ocorrido entre ela e o Pingos nos Is. E eu escolho acreditar em quem dá a cara para bater.

Independentemente da limitação intelectual ou do posicionamento político de cada um, não é certo, nem justo, nem humano, usar de um expediente tão insensível para dizer: Joice, você não serve mais aos nossos alinhamentos e interesses!

Prefiro acreditar que o que está me faltando seja só a bússola. Ela só sabe apontar o Norte. O mundo digital tem vários lados. E sabendo onde está o norte, ainda consigo saber onde está meu coração.

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