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Ao contrário do quase homônimo do cinema, aqui Huck é que vira Luciano

Ao contrário do quase homônimo do cinema, aqui Huck é que vira LucianoLuciano Huck me fez lembrar minha experiência em cursos ministrados de PNL (Programação Neurolinguística). Era muito comum aplicação de dinâmicas de grupos para consolidar o conhecimento buscando aproximar a teoria com a pratica.

Uma delas era um verdadeiro curinga. Tão versátil, útil e poderosa que circulava livremente em todos os conteúdos. Era só uma questão de adaptação. E sua riqueza existia devido ao texto que a sucedia. Ele era impreciso, carregado de generalizações, de omissões e de distorções. Tinha apenas seis personagens e um deles tinha o nome de Bandido.

Em salas, era muito comum devido as características abertas do texto, muita discussão por conta dos pontos de vistas contrários. O enredo, muito bem enjambrado, era manipulativo e fazia com que os participantes preenchessem as lacunas abertas (devido a linguagem geral, omissa e distorcida) com seus históricos de vida. Muitos até parecidos o que facilitava o entendimento entre um integrante e outro, mas o pau torrava na maioria do tempo.

E claro o aprendizado se comprometia. Isso porque a grande maioria não conseguia ampliar a visão, mantendo apenas seus posicionamentos e pontos de vistas de acordo com suas vivências. Os fatos eram desconsiderados e o que mais se valorizava eram as próprias opiniões e os egóicos sentimentos. A morte, presente no enredo, era totalmente desconsiderada. Em favor das autoexperiências e “elevados” julgamentos, criavam-se inúmeras, vagas e imprecisas interpretações para o que tinha acontecido. Vai lá, tudo bem. O texto fazia essa provocação.

Obviamente que ele induzia encontrar outros culpados que não fosse o Bandido, porque estimulava cada um dar a versão de acordo com suas experiências pessoais. Praticamente tudo nele era tendencioso. Mas tendencioso para quem?

A sala de aula me mostrou a realidade das massas, a facilidade de seguir tendências e não fatos. São poucos que a enxergam a realidade como ela realmente é. A grande maioria, sem se apoiar em dados e seguir sinais e pistas, acompanha a trilha que a grande mídia mostra, por ela é mais aberta, fácil e acessível.

Uma tela em altíssima resolução repleta de bundas peladas rebolando a céu aberto, sons altos e de baixíssima composição, coreografias ensaiadas com movimentos eróticos e tudo intermediado com apelo vocativo e emocional com o nome de Lar Doce Lar, por exemplo, é audiência certa. Ainda mais com a expectativa que a próxima casa a ser reformada pode ser a minha. Não há audiência atrofiada, limitante e condicionante que resista a um lar reformado com os padrões globais. E cede. E essa mesma sociedade rudimentar transforma um Bandido num pobre coitado, com direitos de vítima e obrigações de coitado.

E a isso tudo se está chamando de Nova Política: inclusão de bandidagem, de viadagem, de putaria e muito mais. Além de um sangue-bom e novo conhecido por Luciano Huck. Sim, o mesmo das bundas peladas de anos a fio e do também famoso Lata Velha, dentro do programa Caldeirão da Rede Globo.

Huck não é o novo como Fernando Henrique Cardoso, com sua voz embasbacada e que se diz autoridade do PSDB, está tentando vender. Em idade pode ser, mas marcha de acordo com os mandamentos da política velha. Não tenho nada contra ele como apresentador fanfarrão, mas não concordo com sua filosofia de vida e seu jeito de ganhar dinheiro. E gosto menos ainda dos vínculos que ele tem de amizades que evidenciaram não possuir filtros, apenas ideologias interesseiras e pessoais.

Luciano é para mim o mesmo que alguns outros candidatos à presidência: um completo ignorante em várias áreas. Nem arisco pontuá-las, porque estaria sendo leviana ou justa demais. E com um agravante: ele é um subproduto de uma grande teia geradora de tendências nociva, corrosiva e manipulativa. É alguém que chegando lá na Presidência da República do Brasil, contribuirá ainda mais com a alienação do povo, aquele mesmo que não consegue enxergar Bandido como bandido. Aquele mesmo das dinâmicas de grupos incapaz de explorar a realidade factual em detrimento da concepção de outras como a usurpação da inocência de crianças definida subliminarmente como criação de gênero. Uma ideia tão repugnante com o objetivo de por em dúvida “tão somente” Deus e Suas criações.

Não queria Luciano Huck como presidente do Brasil, mesmo sabendo que tudo é possível depois do advento conhecido por Dilma. E não o queria nem como candidato. Huck para mim é só mesmo a referência sonora do nome de um personagem de um homem irado, forte e verde que poderia ser ruim, mas é bom nos desenhos animados. Na vida real a coisa é bem diferente como vi acontecer inúmeras vezes nos testes simulados das dinâmicas. Se não conseguimos enxergar e separar fatos, como lidar com a loucura de um homem bonachão, franzino e vermelho?

Felizmente, ele se descobriu Luciano e desistiu. As pessoas sérias do país agradecem.

Por Leila Previati  Professora por formação. Trainer em PNL (Programação Neurolinguística) por paixão. E escritora cronista para exploração e provocações de ideias e ideais.

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Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.