0

Dilma, microfones e um caldo de cultura nos discursos

Dilma, microfones e um caldo de cultura nos discursosVerdade verdadinha, não tenho a menor honra de escrever o que escreverei da Senhora Dilma Rousseff. Como gostaria que fosse diferente…

Muito além das asneiras e babaquices que ela (ainda) anda discursando, é ter que engolir o fato que ela foi presidente do Brasil por quase dois mandatos. E que sua trajetória política fará parte de livros de história, material este que, de acordo como será repassado aos alunos, ela poderá ter reconhecimento de mártir.

Em 2014 quando Dilma foi reeleita, vi um desenho que ilustrava de forma metafórica, o verdadeiro momento da presidentA. Em cima de um poste estava uma tartaruga. Sim, um poste de luz. Algumas pessoas olhavam para cima sem entender como um ser, quase rastejante, chegou lá. A única palavra da ilustração bem ao lado da tartaruga era Dilma.

Dilma não chegou lá sozinha. Ela teve um governo anterior que surfava em suave (e mascarada) onda. Os índices econômicos eram favoráveis e o seu antecessor, Lula, estava com uma aceitação popular tão elevada, que passaria não só um boi, mas uma vacaria toda. Aliado a isso, uma excelente equipe de publicitários e marqueteiros pintaram e bordaram no acobertamento da imagem de ignorância e de despreparo de uma presidenciável. Uma estratégia: evitar microfones. Ela falou muito pouco e discursou menos ainda. E só arriscava abrir a boca quando era obrigatória sua participação, como nos debates. Fico imaginando como eram os bastidores de sua esquipe (e até dos anjos da guarda dela) quando ela tinha que falar sem estar em terreno neutro e de improviso. Ah, anjos!

O trabalho dos marqueteiros bem maquiado e a imagem de Lula, sem maquiagem, foram os grandes trampolins de Dilma Vana Rousseff. E Dilma chegou lá, assim como a tartaruga em cima do poste. E não foi sozinha, teve ajuda. Ela chegou de forma democrática, através das urnas eletrônicas e com o apertar de milhões de dedos humanos confirmando o número 13, ainda que a combinação de urnas eletrônicas e dedos humanos tenha gerado suspeição, em suas duas eleições.

Recordo-me de uma entrevista que ela concedeu ao Jô Soares. Ali ela era toda gavola, inclusive com a autenticação do entrevistador, que foi (ou é, não sei!) mulher de muitas leituras. Especialmente na época do exílio e teve a oportunidade de ler várias vezes a Bíblia.

Verdade seja dita: só quem tem muuuuuita leitura consegue ter habilidade para criar um discurso improvisado tão rico e tão excitante como o descrito na sequência:

“… em termos partidários inesperada por eles. A segunda questão é o surgimento da extrema-direita. A extrema-direita não surge como um raio no sol azul. Ela não é um raio no sol azul. A gente pode até ter subestimado a força da extrema-direita no Brasil. Mas ela já havia dormente. Porque eu acho que isso é que nem o novo. O novo. O que é o novo, hein? O novo. Essa… essa defesa do novo. Eu acho que o novo é que cada vez ocorre isso em relação a nós humanos que somos mortais. E que a nossa… a nossa etala… nossa vida  com capacidade ela tem uma durabilidade. Isso é o novo. Agora o novo não é o jovem de 30 anos ou o jovem de 70 anos. A enorme intolerância criada como o… como o… meio ambiente. Como o caldo de cultura melhor dizendo do que meio ambiente, porque o meio ambiente tem conteúdo positivo, caldo de cultura não. O caldo de cultura se cultiva doença.  Se cria… se cria o MBL, o Vem para a rua, e os movimentos desse tipo. E as… os… a… grande, o grande efeito desse processo que mostra o grau… o grau de perda do centro conservador e da direita conservadora é o surgimento claro da extrema-direita do Brasil com o Sr. Bolsonaro. Que é uma pessoa que defende… Ele poderia defender a ditadura militar? Não sei. Acho que não poderia num pais que teve a ditadura que nós tivemos. Agora ele não… jamais poderia… poderia, de público, defender tortura.” Dilma Vana Rousseff, 22/01/2018.

Faço questão de registrar que ouvi esse discurso várias vezes. Quis transcrevê-lo com precisão. Arrisquei na pontuação, buscando respeitar a oralidade. Se algo estiver errado a falha é minha na transcrição. Nada errado no discurso dela que foi impecável, A La Dilma Rousseff! Um grosso Caldo de Cultura! E uma desgraça para o entendimento da extrema-direita.

Quando ouvi mais essa baboseira toda, em total descrença, pois ainda consigo não acreditar, perguntei a mim mesma: quem é o babaca, ops! quero dizer, o responsável em liberar o microfone a ela?

Pensando melhor, torço para que liberem microfones, megafones, canal aberto de televisão 24 horas e etc, tanto para Dilma como para Lula. Esses dois ex-presidentes quanto mais abrirem a boca, mais fácil e curta ficarão suas histórias nos livros. Agora é torcer para que não tenhamos professores à caça de mártires acéfalos.

Por Leila Previati

Leia também

Nós temos um Suprema Corte e um STJ totalmente acovardados?

 

Leila Previati