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Qual a diferença do vídeo vazado de William Waak e as gravações de Joesley Batista?

Qual a diferença do vídeo vazado de William Waak e as gravações de Joesley Batista?

Tanto quanto os interlocutores de Joesley Batista, William Waak não sabia que estava sendo gravado, e, assim, estava à vontade para ser quem é quando sabe que a câmera está ligada e apontando para ele.

A questão é que saber ou não saber que está sendo gravado não diminui a escrotidão da atitude, não ameniza o juízo que fazemos do vemos, afinal o comentário é recheado de expressões faciais e gestos, e do que ouvimos. E, por fim, a sociedade está condenando William Waak, a Globo o afastou da tela e todos aqueles que se sentiram ofendidos com a situação entendem que alguma justiça foi feita.

Quem nunca contou ou ouviu – e riu – uma piada de preto? E é preto mesmo que se fala em piada, ninguém conta piada politicamente correta chamando preto de negro ou de afrodescendente. E piada de português, nunca? De corno, de viado, de puta, de velho, de padre, de freira, de político, de professora, de aeromoça, de médico, de enfermeira, de massagista… E o tanto de ‘”filha da puta” que as pessoas se xingam sem conhecer as mães dos outros?

A situação de William Waak no vídeo não é uma piada de preto. É racismo. Só não é menos racismo do que o que a sociedade pratica diariamente e não é gravada pela ausência de câmeras. Se cada um de nós tivesse uma câmera que nos gravasse 24 horas por dia, poucos escapariam de serem flagrados e enquadrados em algum tipo de racismo ou atitude opressiva em relação a outro.

Somos racistas com brancos, com torcedores do time adversário, com praticantes de religião diferente da nossa. Somos intolerantes com a divergência, com a oposição ao que somos e pensamos, porque as sociedades são assim por mais errado que pareçam, por mais evoluídas que sejam.

Não perdoamos William Waak.

Mas, perdoamos Michel Temer. Gravado sem saber, tratando com um notório bandido, como ele mesmo disse, de corrupção, de obstrução e vazamentos de dados de investigações, com a manutenção da propina para calar Eduardo Cunha.

Perdoamos Gilmar Mendes flagrado em grampo com a Aécio Neves na tentativa de cooptar o voto de um senador do Mato Grosso e em outro grampo expressando solidariedade ao ex-governador Silval Barbosa que havia sido preso por 24 horas numa operação autorizada por Dias Tóffoli, com quem se comprometeu a conversar sobre o assunto.

Michel Temer e Gilmar Mendes são bandidos. Willian Waak é um escroto. Mas, curiosamente, um dos únicos, se não o único, jornalistas da Globo que descia a lenha no PT, no PMDB e em tudo de ruim que existe na política brasileira. Apesar de estar na Globo e na Globonews, e isso é imperdoável.

William Waak não foi afastado da Globo porque é racista. Ele cometeu o crime de ser jornalista e fazer o que um jornalista tem que fazer.

Daqui a pouco a sociedade vai perdoar Willian Waak pelo a expressão babaca de racismo. Mas até quando essa mesma sociedade continuará perdoando Lula, Temer, Gilmar Mendes, Renan Calheiros, Romero Jucá, José Sarney, Fernando Collor, Aécio Neves, Gleisi Hoffmann, Roberto Requião, Dilma Rousseff, José Serra, Geraldo Alckmin?

O tipo de racismo deles é muito pior do que o expressado por William Waak. O racismo político mata pessoas de fome, de ausência de segurança pública, de penúria no trato com a saúde pública, gera desemprego, amplia a desigualdade e só enriquece políticos. Até quando?

A carreira de William Waak sofre uma significativa interrupção por ter tido sua privacidade revelada. E com isso, para a felicidade geral de quem patrocinou o vazamento desse vídeo, os corruptos e a corrupção continuam, com um jornalista a menos para encher o saco.

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HS Naddeo

Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.