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Caetano Veloso na Paula Lavigne dos outros é refresco

Caetano Veloso na Paula Lavigne dos outros é refresco

O mais relevante sobre a questão de um relacionamento sexual entre um Caetano Veloso com 40 anos e uma Paula Lavigne com apenas 13 não está no que a lei permitia ou não.

Poderiam alegar, inclusive, que estão juntos até hoje, caracterizando que se tratou de um caso de amor. O que, de fato, faz diferença é se independente do amor isso é moral.

A exposição dessa intimidade de Caetano com Paula Lavigne não é fofoca da direita, nem patrulhamento conservador. Foi ela quem disse numa entrevista à Revista Playboy. Recentemente, em função da polêmica em torno do assunto, disse ela que “se processaria por certas coisas que revelou” sobre sua vida.

Paixões avassaladoras, como pode ter sido a de Caetano e Paula, acontecem o tempo todo, em todas as camadas sociais, não importando o grau de instrução. Mas isso não elimina da discussão o fato de que um jovem de 13 anos não tem a dimensão das consequências de seus atos da mesma maneira que (pelo menos) deve ter um adulto de 40 anos. O problema é que muito adulto de 40 anos também não tem.

O jornalista Chico Pinheiro, a fim de desqualificar o debate, disse na sua conta do Twitter “minha avó casou com 12 anos”. Será que ele teria deixado sua filha se relacionar com um homem de 40 anos quando tinha apenas 13? Será que sua filha aos 13 anos frequentava festas de aniversário de celebridades com a liberdade até para transar com o aniversariante? Duvido. Talvez nem por ele, mas a menina tem mãe, e essa não casou com Chico Pinheiro aos 12 anos.

Talvez a avó de Chico Pinheiro tenha casado por amor aos 12 anos, mas, considerando-se a idade dele, na época dela não era incomum que pais casassem as filhas cedo para ter uma boca a menos para sustentar, como também não era incomum que meninas buscassem o sexo como uma justificativa para casar e sair de casa, especialmente em famílias numerosas ou com pais muito severos. Mesmo assim, dificilmente um Caetano transaria com uma Paula de 13 na sua festa de aniversário.

Perder o hímen, o tão protegido “selo de garantia” da virgindade já não é problema há muito tempo. Os jovens fazem sexo cada vez mais cedo, mas entre eles, ou dentro de um intervalo de idades no qual não pese quase 30 anos a mais de experiência a favor de um lado ou outro. Nem mesmo o glamour de ser uma celebridade.

Sexo entre um adulto de 40 anos e um jovem de 13 é pedofilia, mesmo se for consentido.

A pedofilia não está unicamente na prática do ato sexual com menores. Mas principalmente na consequência futura disso na vida do menor.

Não vivemos no islã. Nem damos para as não celebridades outra denominação ou tratamento que não seja pedofilia. Pessoas inclusive são presas por apenas portarem fotos de menores nus, sem que nenhum ato sexual tenha sido praticado contra qualquer menor. Pedofilia não é um conceito físico ou fisiológico, é moral e psicológico, e, certamente, um distúrbio que deve ser tratado e punido, seja qual for a sua causa.

Isoladamente, pouco importa se Caetano transou com Paula com o consentimento dela quando tinha 13 anos e ele 40. Mas importa muito quando para defender isso as pessoas usem suas avós, mas não suas filhas, e tentem vender com isso a ideia de que sempre foi assim. Pode até ter sido. Mas conceitualmente nunca deixou de ser pedofilia. E não há motivo para que deixe de ser visto assim agora.

Não estamos no islã. E mesmo que estivéssemos, ainda assim não seria aceitável que um homem de 40 anos transasse com uma menina de 13 sem ter se casado com ela. Até no islã isso é considerado estupro, e além disso a menina estará marcada para o resto da vida.

Tratar situações como essa de Caetano e Paula com normalidade não é ético, não é moral, e nem era na época que aconteceu. O que importa é tratarmos do assunto com a seriedade que ele merece, dando dimensão ao prejuízo emocional que ele causa, e não com discursos ideologizados

Se não tomarmos cuidado daqui a pouco vão justifica estupro com o ditado “onde come um, ‘come’ quatro”. Tempos estranhos.

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Brasileiro escrivinhador de ofício, palpiteiro, cheio de opinião, jornalista, publicitário, administrador, marketeiro, anti-petista, anti-corrupção e anti-burrice.